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FIDCs seguem na contramão dos multimercados e já somam R$ 21,5 bilhões em captação no ano

.fnFIDC NEWS 08/07/20264 min de leituraSem comentários
FIDCs seguem na contramão dos multimercados e já somam R$ 21,5 bilhões em captação no ano
FIDCs seguem na contramão dos multimercados e já somam R$ 21,5 bilhões em captação no ano

Enquanto investidores reduzem exposição a risco em fundos multimercados, o mercado de recebíveis segue atraindo capital em busca de retorno acima da inflação

Dados da Anbima mostram um giro na alocação dos investidores em 2026. Os fundos multimercados, historicamente a classe mais popular entre os fundos de investimento, seguem perdendo espaço para produtos com perfil de risco mais controlado, entre eles os FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios).

Contexto: multimercados perdem fôlego, renda fixa e crédito privado ganham espaço

Segundo a Anbima, os multimercados registraram resgate líquido de R$ 6,4 bilhões apenas em maio. No acumulado do ano, a classe soma entradas de R$ 1,4 bilhão, uma reversão ainda tímida diante do cenário de 2025, quando as saídas somaram R$ 58,9 bilhões. É um número que ajuda a dimensionar o tamanho da migração de capital que o mercado brasileiro atravessa nos últimos meses.

No mesmo período, a renda fixa liderou as captações de maio, com R$ 10,4 bilhões em entradas líquidas. Os FIDCs também apareceram entre os destaques positivos do mês, com saldo de R$ 2,5 bilhões.

O fato central: FIDCs já captaram R$ 21,5 bilhões em 2026

No acumulado do ano, os FIDCs somam R$ 21,5 bilhões em captação líquida, ritmo que se aproxima do observado em 2025, quando a classe fechou o ano com R$ 57,6 bilhões positivos. O movimento tem explicação direta no cenário macroeconômico. Os juros seguem em patamar elevado e a inflação dá sinais de reaceleração, com o Focus indicando expectativa de IPCA acima do teto da meta em 2026.

Nesse ambiente, ativos mais expostos a risco de mercado, como ações e câmbio, componentes comuns das carteiras multimercado, perdem atratividade para investidores que buscam reduzir volatilidade. Do outro lado, fundos estruturados como os FIDCs ganham espaço por oferecerem potencial de retorno acima da inflação com um perfil de risco mais próximo ao da renda fixa tradicional.

Os FIDCs destinam ao menos 50% do patrimônio a direitos creditórios, ou seja, valores a receber por empresas, como duplicatas, parcelas de vendas e outros créditos que ainda serão liquidados no futuro. Na prática, uma empresa que precisa antecipar caixa vende esses recebíveis ao fundo, que assume o direito de cobrança e remunera o investidor pela diferença entre o valor pago na aquisição e o total efetivamente recebido dos devedores.

Análise: por que o mercado vê espaço para crescer

"É uma classe que combina potencial de retorno, diversificação e exposição a diferentes tipos de crédito", aponta um relatório recente sobre o setor, o Dossiê FIDCs. A avaliação ajuda a explicar por que a classe segue atraindo capital mesmo em um ambiente de juros altos, cenário que tradicionalmente favorece produtos de renda fixa mais simples, como CDBs, LCIs e LCAs.

A rentabilidade dos FIDCs depende de dois fatores centrais: a diferença entre o valor pago pelo fundo na compra dos recebíveis e o montante total a ser pago pelos devedores, e a capacidade do gestor de selecionar créditos de qualidade e administrar os riscos da carteira. Por trás dessas operações, consultorias especializadas avaliam e aprovam os recebíveis antes da aquisição, o que adiciona uma camada extra de controle ao processo, com múltiplas instituições acompanhando a operação ao longo do tempo.

Para pequenas e médias empresas, os FIDCs também funcionam como alternativa ao crédito bancário tradicional, com menos burocracia na hora de antecipar recebíveis. Já para o investidor pessoa física ou institucional que busca diversificação sem escolher fundos individualmente, existem os FICFIDC, fundos de investimento em cotas de FIDCs, que funcionam como um fundo de fundos: em vez de adquirir recebíveis diretamente, aportam capital em cotas de diferentes FIDCs, entregando exposição diversificada a partir de um único investimento.

Projeções da Ouro Preto Investimentos, citadas na reportagem original, indicam que a classe pode alcançar cerca de R$ 2,8 trilhões em valor de mercado até 2030, patamar que reforça a leitura de que o crédito privado estruturado deixou de ser um nicho e caminha para se consolidar como alternativa relevante dentro das carteiras de renda fixa no Brasil.

Perspectivas: crescimento com atenção aos riscos

O cenário de juros elevados e inflação pressionada tende a manter o apetite por FIDCs no curto prazo, especialmente entre investidores que buscam rentabilidade acima do CDI sem assumir a volatilidade de ativos de renda variável. Ainda assim, como qualquer investimento, a classe carrega riscos, sobretudo ligados à qualidade dos recebíveis e à capacidade de gestão do fundo, o que reforça a importância da seleção criteriosa por parte do investidor antes de alocar capital.

Vale o monitoramento dos próximos relatórios da Anbima para confirmar se a tendência de captação recorde se sustenta ao longo do segundo semestre, e se os multimercados conseguem reverter de forma mais consistente o ciclo de resgates iniciado em 2025.


Fonte: Portal do Fomento, com dados da Anbima e informações originalmente publicadas pelo Seu Dinheiro

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O .fidcnews é um veículo digital focado em notícias e análises sobre Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs), com o propósito de tornar acessíveis os dados e tendências do mercado de crédito estruturado.

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