Tether compra participação minoritária na holding do Mercado Bitcoin

A Tether, emissora da USDT, stablecoin mais usada do mundo e com circulação estimada em US$ 184 bilhões, está adquirindo uma participação minoritária na 2TM, holding brasileira que controla o Mercado Bitcoin. A operação, ainda sem valores divulgados publicamente, aprofunda a relação comercial que as duas empresas já vinham construindo e chega num momento em que a Tether também protagoniza uma disputa judicial no Brasil.
Contexto: o avanço da Tether no país
A 2TM se tornou um "unicórnio", termo usado para startups avaliadas acima de US$ 1 bilhão, em 2021, quando recebeu uma rodada de investimentos liderada pelo fundo japonês SoftBank. Desde então, a holding do Mercado Bitcoin consolidou posição como uma das principais plataformas de negociação de criptoativos do país, ampliando produtos ligados a tokens lastreados em moeda estrangeira e em ouro.
A entrada da Tether no capital da companhia não é um movimento isolado. Em maio, o Mercado Bitcoin já havia anunciado uma parceria com a emissora da USDT para oferecer cashback a investidores que aplicassem em USDT e em XAUT, token digital lastreado em ouro também emitido pela Tether.
O negócio: fatia minoritária, termos ainda fechados
De acordo com apuração da coluna Capital, do jornal O Globo, não está claro quanto a Tether está aportando na operação nem qual será sua participação final na 2TM. O que se sabe é que a companhia terá uma fatia minoritária na holding brasileira, consolidando uma posição estratégica dentro do ecossistema de criptoativos do país em vez de apenas uma relação comercial de parceria.
Pano de fundo: a disputa com o Banco Master
O movimento acontece enquanto a Tether segue envolvida em um processo na Justiça de São Paulo contra a Titan Holding, empresa de investimentos pessoais de Daniel Vorcaro. A ação busca a recuperação de um empréstimo de US$ 300 milhões concedido ao dono do Banco Master em 2025, valor que não teria sido honrado pelo banqueiro, segundo reportagem do Estadão que revelou o caso.
O episódio expôs a exposição da Tether a operações de crédito no Brasil e chama atenção de gestores e investidores que acompanham de perto a saúde financeira de instituições ligadas ao mercado de crédito privado, caso do próprio Banco Master. No ano passado, a Tether também mudou sua sede corporativa das Ilhas Virgens Britânicas para El Salvador, movimento que reforça sua estratégia de reposicionamento institucional.
Análise: o que o movimento sinaliza para o mercado
Para analistas do mercado de criptoativos e crédito privado, a entrada da Tether no capital da 2TM funciona como uma forma de blindar e aprofundar simultaneamente sua presença no Brasil, um dos mercados mais relevantes para a circulação da USDT fora dos Estados Unidos. Ao se tornar sócia da holding do Mercado Bitcoin, a Tether deixa de depender só de acordos comerciais pontuais e passa a ter voz direta nos rumos da plataforma, algo que ganha peso justamente no momento em que a companhia lida com um processo judicial de alto valor envolvendo um banqueiro brasileiro.
Perspectivas: o que observar daqui para frente
Os próximos passos a acompanhar incluem a divulgação do valor exato do aporte, o percentual final que a Tether passará a deter na 2TM e o desfecho do processo contra a Titan Holding. Para o mercado de crédito privado, o caso reforça a importância de monitorar a exposição cruzada entre emissoras de stablecoins, plataformas de criptoativos e instituições financeiras tradicionais, um cenário que tende a ganhar ainda mais relevância regulatória nos próximos meses.
Fonte: O Globo, coluna Capital, por Rennan Setti (06/07/2026)
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