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Stablecoins movimentam em um trimestre volume equivalente ao PIB do Brasil

.fnFIDC NEWS 07/07/20264 min de leituraSem comentários
Stablecoins movimentam em um trimestre volume equivalente ao PIB do Brasil
Stablecoins movimentam em um trimestre volume equivalente ao PIB do Brasil

Bancos, empresas de pagamentos e outras instituições financeiras já movimentam, por meio de infraestruturas como a da Fireblocks, um volume trimestral equivalente ao Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil. O número, divulgado pela Fireblocks e publicado pela Exame, marca uma virada de fase: as stablecoins deixam de ser um ativo de nicho ligado a criptomoedas e passam a integrar a infraestrutura de pagamentos usada por instituições reguladas em escala global.

Contexto: de ativo especulativo a infraestrutura

Stablecoins são criptoativos cuja cotação é pareada a uma moeda de referência, geralmente o dólar, o que reduz a volatilidade típica de outros criptoativos e viabiliza seu uso em pagamentos e liquidações. Por anos, esse tipo de ativo circulou majoritariamente entre traders e exchanges. O cenário mudou. Segundo o artigo de Jorge Borges, head da Fireblocks para a América Latina, publicado no Future of Money da Exame, bancos e fintechs passaram a usar stablecoins para resolver um problema antigo do sistema financeiro tradicional: pagamentos internacionais lentos, caros e dependentes de múltiplos intermediários.

A liquidação de operações transfronteiriças pelo sistema bancário convencional ainda leva dias e envolve custos que se acumulam a cada intermediário na cadeia. Stablecoins, por outro lado, operam de forma contínua, com liquidação quase instantânea. Essa diferença de eficiência é o que, segundo o artigo, explica a migração de volumes tão expressivos para essas novas infraestruturas.

O que mudou: adoção institucional em escala

O dado central da matéria é direto. Em apenas um trimestre, o volume movimentado via infraestrutura da Fireblocks já equivale ao PIB de uma das dez maiores economias do mundo. Não se trata mais de um debate sobre potencial futuro das stablecoins, mas de transformação já em curso no mercado financeiro.

A América Latina aparece como protagonista dessa mudança. Segundo pesquisa da própria Fireblocks citada no artigo, 69% das instituições financeiras da região apontam a modernização da infraestrutura financeira como prioridade estratégica, o maior índice entre todas as regiões pesquisadas globalmente. Além disso, 92% das instituições consideram pagamentos instantâneos e liquidação 24 horas por dia, sete dias por semana, fundamentais para o futuro do setor, enquanto 61% veem a emissão de ativos digitais como capacidade crítica para seus negócios.

O sucesso de sistemas de pagamento instantâneo já consolidados na região, como o Pix no Brasil e o SPEI no México, é apontado como base para essa evolução. A região já demonstrou apetite e capacidade de adotar infraestrutura de pagamentos em tempo real, o que facilita o salto seguinte rumo a ativos digitais e stablecoins.

Análise: regulação como catalisador

Para Jorge Borges, o avanço regulatório em diferentes mercados é peça central dessa adoção institucional. "À medida que reguladores estabelecem parâmetros para temas como custódia, governança e compliance, a incerteza diminui e abre espaço para operações em maior escala", avalia o executivo da Fireblocks no artigo publicado pela Exame.

Essa leitura é relevante também para quem acompanha o mercado de crédito estruturado no Brasil. A discussão sobre tokenização de ativos financeiros, incluindo recebíveis e cotas de fundos, avança na mesma direção descrita no artigo: reguladores definindo regras mais claras de custódia e governança tendem a reduzir a incerteza que hoje limita a adoção de novas infraestruturas digitais em produtos de crédito privado. O movimento das stablecoins funciona como um indicador de como esse processo de maturação regulatória pode se desenrolar em outras classes de ativos digitais.

Perspectivas: dinheiro programável e novos produtos financeiros

O artigo aponta que a mudança mais profunda talvez não esteja no volume movimentado, mas na natureza do dinheiro em si. Stablecoins permitem automatizar pagamentos, simplificar liquidações e criar novos produtos financeiros sobre uma infraestrutura mais integrada e digital, o que os autores comparam à forma como a internet transformou a circulação de informações.

A transição descrita é gradual, mas a direção já está definida. Para o mercado de crédito privado brasileiro, o ponto de atenção nos próximos meses é acompanhar como o avanço regulatório sobre custódia e compliance de ativos digitais, hoje discutido no contexto de stablecoins, pode se estender a outras estruturas financeiras, entre elas os próprios instrumentos de securitização e crédito estruturado.


Fonte: Exame, Future of Money. Artigo de Jorge Borges, head da Fireblocks para a América Latina. Publicado em 5 de julho de 2026. Disponível em: https://exame.com/future-of-money/stablecoins-ja-movimentam-o-equivalente-ao-pib-do-brasil-em-um-trimestre/

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O .fidcnews é um veículo digital focado em notícias e análises sobre Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs), com o propósito de tornar acessíveis os dados e tendências do mercado de crédito estruturado.

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