Mulher de Moraes enviou minuta de contrato de R$ 131 mi a Vorcaro

Uma conversa de WhatsApp recuperada do celular de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, mostra que a advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro do STF Alexandre de Moraes, enviou ao empresário a minuta de um contrato de honorários advocatícios avaliado em R$ 131,2 milhões. A revelação, publicada pelo Estadão e replicada pelo Poder360, integra a investigação da Polícia Federal sobre vazamento de informações sigilosas ligadas à família do ministro e reacende o debate sobre os custos que corroeram o balanço do banco liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025.
Contexto: um banco que virou símbolo de risco no crédito estruturadoO Banco Master construiu, nos últimos anos, uma posição agressiva na captação e na aplicação de recursos em ativos de crédito estruturado, incluindo cotas de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC, fundos que compram recebíveis de empresas e os transformam em cotas negociadas por investidores institucionais). Essa estratégia de crescimento acelerado, associada a práticas hoje sob investigação, terminou na liquidação extrajudicial da instituição pelo BC em novembro de 2025, decisão que expôs rombos bilionários e deu início à operação Compliance Zero, hoje na 9ª fase.
Para gestores e cotistas de FIDC, o caso Master já é referência de manual sobre risco de originador. Mostra como despesas administrativas e jurídicas elevadas, somadas a fraude contábil, podem comprometer a capacidade de pagamento de uma instituição financeira que também atua como cedente ou estruturadora de operações de crédito privado.
O que mudou: a minuta de R$ 131 milhões veio à tonaSegundo os jornalistas Felipe de Paula, Aguirre Talento e Fausto Macedo, do Estadão, Viviane enviou a minuta do contrato a Vorcaro em 17 de janeiro de 2024, às 10h09, com a mensagem "Bom dia! Segue a minuta do contrato. Abraço". Vorcaro respondeu cinco dias depois perguntando sobre a forma de assinatura.
Pelo texto do contrato, o escritório Barci de Moraes Associados receberia R$ 3,6 milhões mensais ao longo de três anos, valor que somaria R$ 131.275.071,72 até o início de 2027 caso o acordo fosse cumprido integralmente. A Receita Federal já havia identificado pagamentos efetivos de R$ 80,2 milhões do Master ao escritório de Viviane ao longo de 2024 e 2025, valores interrompidos com a liquidação da instituição. Em nota, o escritório afirmou ter realizado 94 reuniões de trabalho e produzido 36 pareceres sobre temas previdenciários, contratuais, regulatórios, trabalhistas, de compliance, proteção de dados e crédito.
Análise: o peso das despesas jurídicas na equação de riscoPara analistas do mercado de crédito privado, o valor do contrato chama atenção menos pelo montante em si e mais pelo que revela sobre a estrutura de custos de uma instituição que também mobilizava capital via cotas de FIDC e outros instrumentos de captação. "Um contrato de assessoria jurídica dessa magnitude, em paralelo a uma operação de crescimento agressivo em ativos de crédito, é o tipo de sinal que deveria acender alerta em qualquer processo de due diligence de originador", avalia um analista do setor.
O episódio reforça a importância, para gestores de FIDC, de escrutinar não apenas a qualidade dos recebíveis cedidos, mas também a governança e a estrutura de despesas da instituição financeira ou empresa que origina o crédito. Contratos elevados de honorários, quando não compatíveis com o porte da operação jurídica prestada, tendem a ser um dos primeiros pontos revisados em processos de liquidação e investigação, como demonstra o histórico da Compliance Zero.
Perspectivas: o que monitorar daqui para frenteA investigação sobre o vazamento das informações do celular de Vorcaro segue em curso sob relatoria do ministro André Mendonça, no STF, e deve continuar produzindo novos documentos e mensagens vindos do material apreendido. Para o mercado de FIDC e crédito privado, o desdobramento relevante é o andamento da liquidação extrajudicial do Master e o eventual ressarcimento de credores e cotistas expostos a operações estruturadas pela instituição.
Vale observar que o gabinete de Alexandre de Moraes já havia declarado, em dezembro de 2025, que o escritório de Viviane nunca atuou na venda do Master ao BRB (Banco de Brasília). O escritório Barci de Moraes Associados informou que não comenta tratativas envolvendo clientes, e Viviane não respondeu aos pedidos de posicionamento até a publicação da reportagem original. Gestores e investidores com exposição direta ou indireta a ativos ligados ao Master devem acompanhar as próximas fases da operação e as decisões do STF sobre o caso.
Fonte: Poder360, com informações do Estadão (Felipe de Paula, Aguirre Talento e Fausto Macedo)
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